5 ideias-chave sobre liderança partilhadas por mulheres

Rita Marques é, sem dúvida, um excelente exemplo de uma mulher líder, destacando-se pelo seu desempenho como secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços durante a pandemia de COVID-19 e subsequente quarentena. Porém, esta é somente uma das duas grandes crises da sua vida. Durante a 1.ª edição da conferência Women & Leadership, organizada pela Portuguese Women in Tech e pela Natixis in Portugal, no Porto, a engenheira partilhou o episódio pessoal que rivaliza com este outro, mais público.
No início da carreira, Rita decidiu tirar um MBA pela University of Southern California. O risco financeiro não lhe era alheio, mas já na altura acreditava ser preciso investir em nós mesmas. O empenho fê-la distinguir-se de entre os seus pares. Com um GPA quase imaculado e o título de Class President, choveram ofertas profissionais. E Rita possivelmente continuaria pela solarenga Califórnia, não fosse um imprevisto de saúde. Uma vez em Portugal, o sentimento era diferente. "Bati a todas as portas desta cidade", confessa. "Todas me disseram que não." Aos 32 anos, a enfrentar desafios de saúde e grávida, a única instituição que a aceitou foi a Universidade do Porto, à qual ainda hoje é grata.
Esta é apenas uma das muitas histórias de coragem e resiliência partilhadas durante a conferência, que esgotou a bilheteira. Para todas as que não estiveram presentes, deixo cinco ideias-chave do evento.
Escolho o que gostava que a minha filha escolhesse
Fabíola Costa Moutinho, diretora sénior de Investigação Clínica na Sword Health, reconhece que a maternidade removeu muitas das suas inseguranças e a tornou uma pessoa mais pragmática. "Escolho o que gostava que a minha filha escolhesse", expressou a propósito do tema da gestão de carreira, e acautelou: "Quando nos sentimos inseguras, muitas vezes ficamos à espera de cruzar todas as checkboxes e de evitar o risco."
Não sabia o que queria, mas sabia o que não queria
Um exemplo vivo de abraçar o risco é Manuela Doutel Haghighi, diretora global de Experiência do Cliente na Microsoft, que viveu e trabalhou na Europa, nas Américas e na África. "Não sabia o que queria, mas sabia o que não queria", confessou, a propósito do tema da gestão de carreira. "E sempre me atirei de cabeça ao próximo desafio."
Lembra-te de que és uma líder de líderes
"Não podes pensar que tens toda uma organização nos teus ombros", defende Cristina Fonseca, cofundadora da Talkdesk e da Cleverly.ai (adquirida pela Zendesk). "Tens de te lembrar de que és uma líder de líderes. Tens de lhes dar as ferramentas e a confiança para que façam o seu trabalho, bem, localmente."
Aprender o que não fazer
Para as profissionais que ainda não estão numa posição de liderança, Laura Fernandes, Senior Business Manager (Americas) na Natixis, dá um conselho útil, mas pouco habitual: devemos estudar os nossos líderes. Além de aprender com os seus bons exemplos, também é importante aprender com os maus, "aprender o que não fazer".
Ela não deixava problemas em aberto
A propósito de ídolos, várias das convidadas falaram sobre supervisoras inspiradoras ou personalidades públicas. Porém, Sofia Matos, diretora de Pessoas e Cultura na Infraspeak, falou da avó e de outras mulheres anónimas com as quais aprendeu a ver a liderança como um ato de serviço. "Uma mulher que me inspirou é a minha avó", partilha Sofia. "Ela sempre questionou, criou pontes, ligou pessoas. Ela não deixava problemas em aberto."
Por vezes, olhamos erradamente para as posições de liderança como uma recompensa por um trabalho bem-feito. A boa liderança destaca-se pela humildade, pela procura de vozes discordantes e pela aprendizagem contínua; e requer foco nos resultados, uma equipa capaz e resiliente, e alinhamento com superiores e stakeholders.
Portugal, apesar de repleto de talento feminino, continua com uma grande lacuna na representação de mulheres líderes, e a conferência Women & Leadership é um esforço para preencher esse espaço. Estas mulheres recordam-nos que estes eventos não são somente benéficos para nós, no presente, mas, sobretudo, para emancipar as próximas gerações.